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Mercado de Novas Energias na África do Sul Q1 2026: PHEV dispara 430%, por que os BEVs ficaram para trás?

Data de lançamento : 2026-06-16

No mês passado, falei com um amigo concessionário em Joanesburgo. Ele me disse algo que ficou na minha cabeça:
“Hoje, o que mais me preocupa não é não vender carros, é vender um BEV e depois o cliente ficar sem eletricidade em casa e voltar para reclamar comigo.”

Essa frase, apesar de informal, resume o principal conflito do mercado de NEVs na África do Sul.

No primeiro trimestre de 2026, o mercado de veículos de nova energia no país mostrou uma mudança inesperada, mas lógica: os híbridos plug-in (PHEV) cresceram muito mais rápido do que os elétricos puros (BEV).

  • Registros PHEV: cerca de 1.200–1.400 unidades, alta de ~430% ano a ano

  • Registros BEV: cerca de 800–1.000 unidades, alta de ~78–82% ano a ano

O crescimento dos BEVs não é fraco — cerca de 80% é forte em qualquer mercado. Mas quando comparado ao crescimento de 4x dos PHEVs, a mudança de preferência fica evidente.

1. Quem está comprando?

Entre os 5 modelos NEV mais vendidos no trimestre, 4 são PHEVs:

  • BYD Atto 2 DM-i (PHEV): ~250–350 unidades

  • Haval H6 PHEV: ~180–250 unidades

  • Volvo XC60 Recharge: ~120–180 unidades

  • BYD Dolphin (BEV): ~100–150 unidades

  • Chery Tiggo 8 Pro PHEV: ~80–120 unidades

Três marcas chinesas entraram no topo, principalmente na faixa de 550.000 a 800.000 rand — o segmento mais importante para famílias da classe média.

Os BEVs tiveram apenas um modelo no top 5. Não porque são ruins, mas porque o consumidor está escolhendo “carros elétricos que também podem usar combustível”.

2. Por que os PHEVs estão crescendo tão rápido?

(1) Load shedding sem solução no curto prazo
Os cortes de energia continuam frequentes (Stage 3 a Stage 6).
Para um BEV, o problema não é “carregar é inconveniente”, é “não há eletricidade quando preciso”.

(2) Infraestrutura de carregamento limitada
Há apenas 400–500 carregadores rápidos DC no país, concentrados em duas províncias.
Em contraste, existem mais de 4.600 postos de combustível em todo o país.

(3) Uso real do carro na África do Sul
A maioria dos motoristas faz:

  • deslocamentos curtos diários na cidade

  • viagens longas nos fins de semana

Isso encaixa perfeitamente no PHEV: elétrico na cidade, combustível em viagens.

(4) Preço do combustível e instabilidade elétrica
A gasolina está em torno de 24–26 rand/litro.
A eletricidade também está subindo e é instável.
O PHEV vira um equilíbrio prático entre custo e flexibilidade.

3. Mercado BEV: cresce, mas é mais seletivo

O BEV cresce cerca de 80% ao ano, mas ainda depende de:

  • acesso a carregamento doméstico

  • energia estável

  • uso mais urbano

Ou seja, é um mercado mais “exigente”.

Conclusão

Em 2026, a África do Sul está claramente em uma fase de “eletrificação pragmática”.
O PHEV não está substituindo o BEV, mas funcionando como a solução mais realista para o momento atual.

Ele se tornou o “meio termo mais eficiente” entre infraestrutura limitada e necessidade real de mobilidade.

 
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